Feira de São João começa amanhã

A Feira de São João deste ano tem o seu inicio, amanhã dia 21 de Junho, com uma Corrida Concurso de Ganadarias...

Triunfo de Tiago Pamplona e Sérgio Aguilar no Festival de Beneficência

Há já algum tempo que não tinha o prazer de tomar notas numa corrida de toiros...

Comunicado - Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande - Feira de São João 2015

"O Grupo de Forcados de Amadores do Ramo Grande anuncia que não pegará no Concurso de Ganadarias da Feira de São João 2015 "

julho 20, 2015

Noite de João Pamplona e dos forcados da Tertúlia.


O público preencheu cerca de 1/4 de casa da Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira, para receber um "Espectáculo Misto" organizado pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense e pelo Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, duas entidades autónomas que se juntaram para a realização deste espectáculo.
Mais uma vez e para que pudessem ser lidados novilhos, e não será a última vez esta temporada, anunciou-se em letras pequenas que ao abrigo do regulamento tauromáquico açoriano este espectáculo tinha a designação de Novilhada. Não deixa de ser curioso que uma das entidades organizadoras deste espectáculo defendia a verdade e seriedade da festa brava açoriana, com a implementação da idade mínima de 4 anos para os toiros a serem lidados nas corridas em solo açoriano. Queriam seriedade e agora brincam com ela? Esta foi uma das causas da pouca afluência de público às bancadas da Praça de Toiros Ilha Terceira, entre outras com certeza.

Em praça estiveram os cavaleiros de alternativa Tomás Pinto e João Pamplona, o matador de toiros Cesar Jimenez e os forcados organizadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Lidaram-se toiros e novilhos de Mario Vinhas e Herdeiros de Manuel Vinhas, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Vegahermosa e João Gaspar. Abrilhantou a corrida a Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras dirigida pelo maestro Durval Festa e dirigiu o espectáculo o Director de Corrida Carlos João Ávila coadjuvado pelo médico veterinário Vielmino Ventura.

O grande triunfador da noite foi sem sombra de dúvida o cavaleiro terceirense João Pamplona. Esteve a um grande nível este toureiro do Posto Santo, bregou, lidou, cravou e arrematou as sortes, com classe e mestria. Lidou pela frente um novilho de Rego Botelho, com trapio e bom comportamento, cravou com mestria os dois compridos da ordem com destaque para o excelente segundo onde foram muito bem marcados todos os tempos da sorte. No segundo tércio destaque para o primeiro ferro de frente e ao estribo e para o que finalizou esta sua primeira intervenção. Se neste novilho este a um excelente nível, João ainda elevou mais a fasquia do seu bom toureio, lidou por último o bravo cinqueño de Vinhas, esperou-o à porta gaiola, para lhe cravar três ferros de eleição, muda de montada, esta em dia de estreia, para desenhar sortes de frente e ao estribo, com remates soberbos, pena que o 4 ferro não tenha ficado, pois teria sido um hino ao toureio frontal, sitou em passage cadenciada de frente, carregou a sorte, quarteou-se na cara do toiro e... Pena o toiro ter perdido as mãos no momento da cravagem. João Pamplona esteve em plano de figura, rubricando a melhor lide da temporada açoriana, até ao momento.

Os forcados da Tertúlia, capitaneados por Adalberto Belerique, tiveram esta noite a dupla responsabilidade de organizar o espectáculo e pegar os quatro astados que lhes couberam em sorte. Se na primeira as coisas não correram pelo melhor no que concerne à entrada de público, já na segunda estiveram à altura dos seus pergaminhos, com a execução ao primeiro intento das quatro pegas que foram realizadas por Luís Cunha, numa grande pega num misto de valentia e boa técnica, Tomás Ortins, na pega da noite a aguentar um violento derrote, Pedro Correia, em dia de despedida a realizar um boa pega e Carlos Vieira, a fechar-se muito bem na cara do oponente. Destaque para os restantes ajudas que esta noite estiveram em plano superior.

Pedro Correia mais conhecido por "Pedrão" decidiu abandonar a difícil arte de pegar toiros, foi um forcado valente, excelente ajuda, daqueles que estão lá quando é preciso e não dão muito nas vistas, sendo a consumação das pegas obra dos oito que estão lá dentro. Mais um valente que deixa a jaqueta dos da Tertúlia.

O matador Cesar Jimenez teve a dignidade de se apresentar na nossa praça sem a sua quadrilha, numa clara atitude de apoiar a organização deste espectáculo na redução das despesas. Saíram às ordens do matador madrileno os terceirense Jorge Silva, João Pedro Silva e Diogo Coelho. Jimenez lidou um quatreño da C.A.J. Albino Fernandes de 450 quilos de peso, que não humilhando dificultou o labor do seu "matador", provou a investida com capote, para se seguir um desastroso segundo tércio, lidou por ambos os pitons sacando passes ao albino com a muleta alta, destacando-se a quinta tanda executada pela mão direita. Cesar lidou o segundo do seu lote, pertencente à ganadaria de Rego Botelho, com temple e profundidade aproveitando as boas características deste, que humilhava de maravilha, destaque para a segunda tanda pela direita e para a quarta pela esquerda, a partir daí o toiro deu sinal que iria rachar e foi isto mesmo que aconteceu na tanda seguinte. Pena este toiro não aguentar uma lide inteira. Faltou-lhe fundo.

Tomás Pinto passa sem pena nem glória pela arena da Praça de Toiros Ilha Terceira, andou precipitado na brega e na cravagem dos ferros, lidou sem história um bravo de Vegahermosa. O seu segundo, um manso de João Gaspar mas que não complicou, andou um pouco melhor com destaque para os últimos três ferros curtos, estes com o valor que sabemos que Tomás Pinto tem, mas que infelizmente não pôs em pratica em frente da aficion terceirense.

Nota outra vez negativa para o critério de atribuição de música dada pelo director de serviço.


Duarte Bettencourt

julho 04, 2015

Algumas considerações - Festival dos Capinhas


A edição do Festival dos Capinhas 2015 ficou uma vez mais envolta em polémica, em relação à atribuição dos prémios a concurso, polémica esta que seria escusada, se:
  •  A composição dos jurados do concurso fosse tornada pública e devidamente anunciada;

  • Fossem criados critérios de avaliação quanto ao desempenho do toiro na arena, toiro este que deve, em meu entender, ser apreciado em relação ao seu comportamento como toiro da corda. A estes critérios seriam atribuídos pontos, pontos estes que somados entre um jurado composto por elementos em número ímpar, atribuísse o prémio ao melhor toiro;

  • Os prémios atribuídos aos capinhas deviam-se subdividir em: sorte de guarda-sol, sorte a corpo limpo e sorte de capa. Não é possível avaliar, se um capinha é melhor que o outro, se por exemplo um desempenha na perfeição a sorte de guarda-sol e um outro que executa, nessa mesma perfeição, um passe a corpo limpo.

Tenham em consideração que a continuar como está, corremos o risco, que de ano para ano, a afluência de público seja cada vez menor, pondo em risco um espectáculo que é acima de tudo uma homenagem ao capinha, ao toiro da ilha e em geral à nossa Tourada à Corda.

Duarte Bettencourt

Quem perdeu e quem ganhou. - Artigo de Opinião de Francisco Sales


Agora que acabou a Feira de São João à que reflectir sobre alguns aspectos. 

Quem perdeu e quem ganhou.


Perdeu o terceirense que gosta de toiros e que vibra com os concursos de ganadarias terceirenses, ganadarias estas que tem feito um esforço enorme para estar a altura desta importante Feira e pelo que vimos nesta Feira estão bem melhores que muitas das apresentadas. Até a balança esteve generosa. 


Perdeu quem já anda há anos a tentar vender a Ilha como destino turístico, único no mundo, para ver toiros à moda de Espanha. O turista não vem à Terceira ver estas corridas pois pode vê-las bem mais perto. 


Ganhou os ditos intelectuais em tauromaquia, que mais uma vez impuserem a sua vontade contra tudo e contra todos para satisfazer o seu capricho. Mais uma vez ficou provado pela bilheteira que o terceirense não gosta das ditas touradas picadas, mas eles continuam a insistir numa coisa já gasta. 


Já agora, a censura praticada, é qualquer coisa do terceiro mundo. 


Quando se trabalha com dinheiros públicos tem que haver um certo cuidado.


Espero que este ano tenha servido de lição e que para o ano seja bem melhor, com toiros terceirenses, porque os temos, que não haja mais censuras e que sejamos todos a trabalhar para o mesmo. 


Não tenham medo de apostar nas ganadarias terceirenses porque são iguais às grandes ganadarias portuguesas, até os nossos artistas são tão bons como os outros. 


Saudações taurinas. 


Francisco Sales

ALICE NO PAÍS DOS MANTEQUILLAS - Artigo de Opinião de António D´Almeida Bello


Alice era uma menina que preguiçosamente vivia com a sua irmã até ao dia em que caiu numa toca de coelho que a transportou para um lugar fantástico, sempre numa lógica do absurda característica dos sonhos.
O que Alice não sabia é que, para além do País das Maravilhas, existe um outro, muito circular e fechado, mas também com um humor perturbado e sem sentido, povoado por alguns clones carinhosamente chamados Mantequillas.
Os Mantequillas já são uma marca patenteada, protegidos por uma redoma de vidro flácido que se criou no seu mundo virtual e que transforma qualquer paquiderme num formador de opinião.
Opinar, julgar, maltratar, censurar, desaprovar, estranhar, reprochar, vituperar, estropiar, são algumas das características festivas que exercem sobre todos aqueles que repugnam o sentido patriótico da monarquia tauromáquica.
Estes bombardeiros de barbaridades que reflectem preconceitos cobertos com véu tendem a reproduzir-se se nada vier a ser feito em contrário.
Recentemente e pelas mãos dos Mantequillas de tudo um pouco aconteceu, contra a vontade dos aficionados não fanáticos, das pessoas não politizadas, e dos autarcas e governantes sem medo da teoria do absolutismo.
No País dos Mantequillas,  a escolha das ganadarias é regida sobretudo pela racionalidade, onde se exclui todas as que durante os últimos cinco anos se prepararam para 2015. Entenderam e mal, muito mal, que haviam de repugnar o touro bravo da Ilha e Região e os ganadeiros que das praças e da corda lá vão vivendo.
Para surpresa de Alice, os comentadores tauromáquicos locais e os nossos emigrantes também são adubados de tais conceitos imorais, sendo publicamente maltratados e isolados no barulho ensurdecedor que se transformou o directo da praça.
E quando um grupo de forcados da ilha deu conhecimento em tempo oportuno da ilegalidade que a entidade promotora e delegados tauromáquicos estavam a cometer, os Mantequillas vieram a público dizer que a valentia desses forcados é pura ilusão e que o exemplo máximo eram os outros que, num jeito de sincera solidariedade, como de boa ovelha adestrada se tratasse, vieram dobrar os companheiros da forcadagem e ainda com direito a prémio de melhor pega.
Alice não queria acreditar no que ia assistindo e mais surpresa ficou quando na televisão assombrou Mantequilla de braços cruzados e com ar frouxo e vegetativo, abanando a cabeça em jeito de concordância com todos os actos de censura que o Mantequilla – mor ia deletrando.
E a cabeça lá continua abanando - como quem oferece amendoins a um macaquinho, agora na praça e nos cafés, bancos ou expulso por ele(s), na rua ou na lua, defendendo intransigentemente todos os actos reprováveis de um concurso questionado e refutado veementemente por tantas e tantas outras pessoas.
Alice aprendeu que nessa terra os Mantequillas têm medo de um debate aberto, porque partem de uma opinião fechada, concluída e privada. Engodam uns tantos com bilhetes, marisco e festas privadas, que toda a opinião acaba por ser uma contra opinião.
Escusado será dizer que Mantequilla, elemento de Direcção de uma afamada Tertúlia, é o mesmo que está em estágio para futuro Director de Corrida. Não sabemos agora que sonho fará parte da história de Alice: se nos Açores continuará esta promiscuidade hermafrodita ou se pelo contrário, a praça para este delegado será uma outra bem diferente dos seus anseios e inquietudes.